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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Grande Imprensa Brasileira - Mentirosa e anticristã


A algumas semanas atrás pudemos vê uma notícia que percorreu o mundo e consequentemente o Brasil (pelo menos foi essa a impressão mundial que passaram).


As Manchetes do site da Globo e do G1 (pertencente a mesma entidade) dizem:

Relatório confirma abuso de milhares de crianças por parte da Igreja Católica da Irlanda.

Inquérito denuncia abuso sexual 'endêmico' de meninos na Irlanda


Então veremos o que Diz o Olavo de Carvalho (renomado pensador, filósofo e jornalista) em seu site na página: http://www.olavodecarvalho.org

Jornalistas contra a aritmética

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 5 de junho de 2009

Não há mentira completa. Até o mais ingênuo e instintivo dos mentirosos, ao compor suas invencionices, usa retalhos da realidade, mudando apenas as proporções e relações. Quanto mais não fará uso desse procedimento o fingidor tarimbado, técnico, profissional, como aqueles que superlotam as redações de jornais, canais de TV e agências de notícias. Mais ainda – é claro – os militantes e ongueiros a serviço de causas soi disant idealistas e humanitárias que legitimam a mentira como instrumento normal e meritório de luta política.

Na maior parte dos casos, os elementos de comparação que permitiriam restituir aos fatos sua verdadeira medida são totalmente suprimidos, tornando impossível o exercício do juízo crítico e limitando a reação do leitor, na melhor das hipóteses, a uma dúvida genérica e abstrata, que, como todas as dúvidas, não destrói a mentira de todo mas deixa uma porta aberta para que ela passe como verdade.

Um exemplo característico são as notícias sobre a tortura nas prisões de Guantánamo e Abu-Ghraib. Como em geral nada se noticia na “grande mídia” sobre as crueldades físicas monstruosas praticadas diariamente contra meros prisioneiros de consciência nos cárceres da China, da Coréia do Norte, de Cuba e dos países islâmicos, a impressão que resta na mente do público é que o afogamento simulado de terroristas é um caso máximo de crime hediondo. Mesmo quando não são totalmente ignorados, os fatos principais recuam para um fundo mais ou menos inconsciente, tornando-se nebulosos e irrelevantes em comparação com as picuinhas às quais se deseja dar ares de tragédia mundial. Só o que resta a fazer, nesses casos, é usar a internet e toda outra forma de mídia alternativa para realçar aquilo que a classe jornalística, empenhada em transformar o mundo em vez de retratá-lo, preferiu amortecer.

Às vezes, porém, o profissional da mentira se trai, deixando à mostra os dados comparativos, apenas oferecidos sem ordem nem conexão, de tal modo que o público passe sobre eles sem perceber que dizem o contrário do que parecem dizer. Isso acontece sobretudo em notícias que envolvem números. Com freqüência, aí o texto já traz em si seu próprio desmentido, bastando que o leitor se lembre de fazer as contas.

Colho no Globo Online o exemplo mais lindo da semana (v. http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/05/20/relatorio-confirma-abuso-de-milhares-de-criancas-por-parte-da-igreja-catolica-da-irlanda-755949622.asp, http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1161142-5602,00-INQUERITO+DENUNCIA+ABUSO+SEXUAL+ENDEMICO+DE+MENINOS+NA+IRLANDA.html e http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1161468-5602,00.html).

Não digo que o Globo seja o único autor da façanha. Teve a colaboração de agências internacionais, de organizações militantes e de toda a indústria mundial dos bons sentimentos. Naquelas três notas, publicadas com o destaque esperado em tais circunstâncias, somos informados de que uma comissão de alto nível, presidida por um juiz da Suprema Corte da Irlanda, investigando exaustivamente os fatos, concluiu ser a Igreja Católica daquele país a culpada de nada menos de doze mil – sim, doze mil – casos de abusos cometidos contra crianças em instituições religiosas. A denúncia saiu num relatório de 2600 páginas. Legitimando com pressa obscena a veracidade das acusações em vez de assumir a defesa da acusada, que oficialmente ele representa, o cardeal-arcebispo da Irlanda, Sean Brady, já saiu pedindo desculpas e jurando que o relatório "documenta um catálogo vergonhoso de crueldade, abandono, abusos físicos, sexuais e emocionais". Depois dessa admissão de culpa, parece nada mais haver a discutir.

Nada, exceto os números. O Globo fornece os seguintes:

1) A comissão disse ter obtido os dados entrevistando 1.090 homens e mulheres, já em idade avançada, que na infância teriam sofrido aqueles horrores.

2) Os casos ocorreram em aproximadamente 250 instituições católicas, do começo dos anos 30 até o final da década de 90.

Se o leitor tiver a prudência de fazer os cálculos, concluirá imediatamente, da primeira informação, que cada vítima denunciou, além do seu próprio caso, outros onze, cujas vítimas não foram interrogadas, nem citadas nominalmente, e dos quais ninguém mais relatou coisíssima nenhuma. Do total de doze mil crimes, temos portanto onze mil crimes sem vítimas, conhecidos só por alusões de terceiros. Mesmo supondo-se que as 1.090 testemunhas dissessem a verdade quanto à sua própria experiência, teríamos no máximo um total de exatamente 1.090 crimes comprovados, ampliados para doze mil por extrapolação imaginativa, para mero efeito publicitário. O cardeal Sean Brady poderia ter ao menos alegado isso em defesa da sua Igreja, mas, alma cristianíssima, decerto não quis incorrer em semelhante extremismo de direita.

Da segunda informação, decorre, pela aritmética elementar, que 1.090 casos ocorridos em 250 instituições correspondem a 4,36 casos por instituição. Distribuídos ao longo de sete décadas, são 0,06 casos por ano para cada instituição, isto é, um caso a cada dezesseis anos aproximadamente. Mesmo que todos esses casos fossem de pura pedofilia, nada aí se parece nem de longe com o “abuso sexual endêmico” denunciado pelo Globo. Porém a maior parte dos episódios relatados não tem nada a ver com abusos sexuais, limitando-se a castigos corporais que, mesmo na hipótese de severidade extrema, não constituem motivo de grave escândalo quando se sabe – e o próprio Globo o reconhece – que grande parte das crianças recolhidas àquelas instituições era constituída de delinqüentes(imaginem o que deveria falar o Globo sobre a FEBEM e outas intituições semelhantes.)* . Se você comprime bandidos menores de idade num internato e a cada dezesseis anos um deles aparece surrado ou estuprado, a coisa é evidentemente deplorável, mas não há nela nada que se compare ao que aconteceu no Sudão, onde, no curso de um só ano, vinte crianças, não criminosas, mas inocentes, refugiadas de guerra, afirmaram ter sofrido abuso sexual nas mãos de funcionários da santíssima ONU, contra a qual o Globo jamais disse uma só palavra.

Só o ódio cego à Igreja Católica explica que o sentido geral dado a uma notícia seja o contrário daquilo que afirmam os próprios dados numéricos nela publicados.

Por isso, saiba o prezado leitor que só leio a “grande mídia” por obrigação profissional de analisá-la, como se analisam fezes num laboratório, e que jamais o faria se estivesse em busca de informação.

Olavo de carvalho.

* Grifo Meu.

É muitíssimo interessante ver como essas mentiras continuam sendo propagadas sem que ninguém faça nada para salvaguardar a verdade. Ninguém processa a Globo ou a BBC (que tbm disseminou esta informação tal como está) e tudo fica por isso mesmo. Com o passar do tempo as mentiras são contadas tantas vezes que nem mesmo questionamos.

Lamentável que a nossa mídia não se limite a apenas a mostrar os fatos e deixar que os leitores tenham sua própria opinião.

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Ainda que levássemos em consideração todos os 12.000 casos (onde 10.910 não tem qualquer tipo de comprovação e nem mesmo o nome das vítimas), dividindo-os em aproximadamente 70 anos, teríamos -( 12.000 : 70 = 171,4285714285714286). Ou seja, aproximadamente 171 casos por ano. E ainda assim teríamos que dividir todos os casos pelo número de instituições, que eram 250. Teríamos - (171 : 250 = 0,684).
Vemos que mesmo inflando (por motivos óbvios), ainda assim teríamos 0,6 casos por ano em cada instituição. Conclui-se que sendo , em um universo de 250 instituições, um pequeno número, imaginando o quanto de crianças que passaram por lá. Outra informação que deve ser ressaltada é que, não foram todos os casos de abuso sexual. Sua maioria foram castigos severos (Como dito acima). No mais, é certo que não deveriam ter ocorrido nenhum caso, mas de longe não foi o monstro pintado pela imprensa maldosa.
As instituições eram comandadas e administradas por leigos (nada de padres), portanto as mentiras e meias verdades, introduzidas nas matérias , têm a real intenção de denegrir a Imagem da Igreja.
Imagine que agora nem mesmo diploma o Jornalista vai precisar ter para assinar matérias em jornais. Qualquer doido vai poder escrever o que quiser. Acho que é exatamente esta a intenção.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A SUA IGREJA É BÍBLICA?

Por Jacob Michel

Tradução: Rondinelly Ribeiro

Fonte: Cathinsight.com/apologetics/biblicalchurch.htm (Sugerida pelo Luciano da comunidade Católicos não adoram imagens - orkut)

A todos os protestantes e outros não-católicos que reivindicam ser seguidores de Cristo:

Façam este simples teste e veja se a sua igreja é verdadeiramente uma igreja bíblica!

(1) "E de todas as nações, como oferta ao Senhor, trarão todos os vossos irmãos a cavalo, em carros e em liteiras, em mulas e dromedários, até meu Monte Santo de Jerusalém - diz o Senhor -, como os israelitas trazem a oferenda numa vasilha pura ao templo do Senhor. Dentre eles escolherá sacerdotes e levitas - diz o Senhor" (Is 66:20-21).

O Antigo Testamento profetiza que na Nova Aliança haverá um sacerdócio ministerial. A sua igreja tem um sacerdócio ministerial?

(2) "Por esse tempo apresentou-se João Batista no deserto da Judéia, proclamando: - arrependei-vos, pois está próximo o reinado de Deus" (Mt 3:1-2).

A bíblia descreve a Igreja como um reino, uma monarquia. A sua igreja assemelha-se uma a monarquia, uma democracia ou uma anarquia?

(3) "Do nascente ao poente, é grande minha fama nas nações, e em todo lugar me oferecem sacrifícios e ofertas puras; porque minha fama é grande entre as nações - diz o Senhor dos Exércitos" (Ml 1:11).

O Antigo Testamento profetiza que na Nova Aliança, serão oferecidos sacrifícios e oblações puras do leste ao oeste. A sua igreja oferece sacrifícios e ofertas imaculadas quando se reúne?

(4) "E quando chegares ao fim de tua vida e descansares com teus antepassados, estabelecerei depois de ti uma descendência tua , nascida das tuas entranhas, e consolidarei teu reino. Ele edificará um templo em minha honra, e eu consolidarei seu trono real para sempre" (2 Sm 7:12-13).

"Meu servo David será seu rei, o único pastor de todos eles. Caminharão segundo os meus decretos e cumprirão meus preceitos, pondo-os em prática" (Ez 37:24).

"Vê: conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás Jesus. Ele será grande, levará o título de Filho do Altíssimo, o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai" (Lc 1:31-32).

"Vós, ao contrário, vos aproximastes de Sião, monte e cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste com seus milhares de anjos, da congregação" (Hb 12:22).

A Bíblia ensina que Jesus veio restaurar o Reino de Davi, e o elevar a um plano celestial. A sua igreja manifesta esta restauração do Reino de Davi?

(5) "Naquele dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias: eu o vestirei com tua túnica e o cingirei com tua faixa, lhe darei teus poderes; será um governante para os habitantes de Jerusalém e para o povo de Judá. Eu lhe porei no ombro a chave do palácio de Davi: o que ele abrir ninguém fechará, o que ele fechar ninguém abrirá" (Is 22:20-22).

A Bíblia ensina que o Reino de Davi restaurado por Jesus inclui um Ministro Superior, que possui "a chave da casa de Davi," a quem é dado "poder," e é "como pai" aos cidadãos do reino. A sua igreja reconhece tal ministro superior, e a autoridade das chaves?

(6) "Jesus lhes disse: - Eu vos asseguro que vós, que me tendes seguido, no mundo renovado, quando o Filho do Homem sentar em seu trono de glória, também vós sentareis em doze tronos para reger as doze tribos de Israel" (Mt 19:28).

A Bíblia ensina que este Reino restaurado de Davi tem príncipes que regem o Reino. A sua igreja reconhece estes príncipes?

(7) "Betsabéia foi ao rei Salomão para lhe falar de Adonias. O rei levantou para recebê-la, fazendo-lhe um reverência; depois sentou-se no trono, mandou pôr um trono para sua mãe, e Betsabéia sentou-se à sua direita" (1 Rs 2:19-20).

"Roboão, filho de Salomão, subiu ao trono de Judá com quarenta e um anos. Reinou dezessete anos em Jerusalém...Sua mãe chamava-se Naama e era amonita" (1 Rs 14:21).

"Abias subiu ao trono de Judá no ano décimo oitavo de Jeroboão, filho de Nabat. Reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão" (1 Rs 15:1-2).

"Asa subiu ao trono de Judá no vigésimo ano do reinado de Jeroboão de Israel. Reinou quarenta anos em Jerusalém. Sua avó chamava-se Maaca, filha de Absalão (1 Rs 15:9-10)

A Bíblia ensina que o Reino de Davi inclui o papel da rainha-mãe. A sua igreja reconhece o papel da mãe do Rei?

(8) "Saibas como comportar-ter na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e base da verdade" (1Tm 3:15).

A Bíblia ensina que a Igreja é a "coluna e base da verdade". A sua igreja ensina esta autoridade sobre si mesma?

(9) "Portanto, irmãos, permanecei firmes, conservai o ensinamento que aprendestes de mim, oralmente ou por carta" (2Ts 2:15).

A Bíblia ensina que a Tradição Apostólica deve ser mantida, seja por carta ou por ensino oral. A sua igreja mantém ambas as tradições, escritas e orais?

(10) "Maria disse...daqui para a frente me felicitarão todas as gerações" (Lc 1:46.48).

A Bíblia ensina que todas gerações chamarão Maria de "abençoada". A sua igreja lhe encoraja a abençoar a Mãe de Deus?

Se a sua resposta a qualquer uma destas perguntas é NÃO, então é melhor você se tornar católico agora mesmo!



Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

Para citar este artigo:

MICHEL, Jacob. Apostolado Veritatis Splendor: A SUA IGREJA É BÍBLICA?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/1378. Desde 23/06/2003.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Intolerância dos tolerantes. Contra a Fé Cristã todos são Doutores.

Pode parecer mania de perseguição, teoria da conspiração ou qualquer outra coisa; mas hoje, quem é cristão e principalmente católico, pode perceber uma tendência, que não é tão nova mas que hoje esta verdadeiramente na moda e a flor da pele.

Nos jornais, nas revistas, na TV, nas rodas de amigos, no trabalho, nas faculdades e etc.A história é sempre a mesma. Contra a fé cristã, até o mais inculto se transforma em doutor. E para nós católicos existe um agravante, não somos apenas “chulapados” por não cristãos; ainda temos que aguentar as alfinetadas protestantes. È como malhar o Judas no sábado de aleluia.

Mas existe uma pequena incoerência nesta historia. Reivindicam a tolerância a todo tipo de fé, a todo tipo de crença. Luta-se pelo respeito as diferentes religiões entre outras coisas.
Até ai , tudo bem. Respeito deve existir mesmo, mas se ele for real, sincero e incondicional.
Aceitam qualquer "deus", desde que leve ao “amor”, aceitam tudo, desde que “você se sinta feliz”, pois- “não é religião que salva”- eles dizem - “se é que existe deus”. Você tem é que “estar onde se sinta bem” e "bem consigo mesmo".

O intrigante é que não percebo esta mesma disposição ao respeito quando está em foco a Igreja Católica.
Contra a fé católica revela-se a intolerância dos tolerantes.
Quem já não teve a experiência de estar conversando com amigos, seja do trabalho, da faculdade ou mesmo vizinhos. De repente, como que por um passe de mágica, vê-se rodeado de “doutores” em história, teologia e filosofia; Afirmando e confirmando taxativamente, com a exatidão e a certeza de um ser divino, todos os “erros” que eles encontram na Igreja. E são tão confiantes e convincentes que até parecem conhecedores profundos do assunto. Mas são apenas frutos de um ensino superficial e tendencioso.

Ensaiados por alguns professores, muitos jovens, se tornam “catolicofóbicos”, "cristofobicos" e até ateus, com aquele ar de quem se sente intelectualíssimo por não precisar crer em um ser superior ou tendo o “poder” de cria o seu próprio, mas sem nunca ter parado para pensar em suas convicções e nas veracidades das fontes que o formaram.
Acham tão difícil ou até imbecil ter fé na Igreja, na bíblia ou mesmo em Deus, mas depositam total confiança nas instituições de ensino, nos seus livros e em seus professores.
Como poderíamos chamar esta confiança, já que a maioria destes jovens nunca contestará uma virgula do que lhes foi ensinado?
Fanatismo?
Fé sega?
No entanto é fé. A maior parte de todo o conhecimento humano não sai do campo especulativo e teórico. porém, são passadas adiante como verdades incontestáveis.
Observando deste ponto, da pra entender alguns fundamentalistas que acreditam em tudo que lhe é oferecido, sem raciocinar para digerir a informação.
É mais fácil deixar que raciocinem por mim. Só preciso repetir o que me passaram e fazer uma pose de intelectual.

Percebo que está em voga tudo o que não determina limites a moral do ser humano, com uma generosa dose de hedonismo e orgulho.
Rejeita-se qualquer coisa que queira traçar regras para um bem viver, mesmo vendo que é impossível viver em sociedade sem respeitar regras. Regas que estão implícitas em nós, homens.

Hoje, me arrisco a dizer, tornou-se psicologicamente tão difícil ser cristão quanto na época das perseguições imperiais.
É quase que uma covardia ser realmente católico dentro de uma sala de universidade, nas escolas ou no ambiente de trabalho. Poucos suportam a pressão e a falta de respeito, disfarçadas com uma falsa fonte histórica, pseudo-intelectual, deturpada a vontade do interlocutor.
Neste cenário , de um lado temos os ateus , de outro lado os protestantes e de outro os “espiritualizados" e a turma do “eu acredito em deus mas...” (que tanta força faz para desqualificar a Igreja, mas vivem se utilizando de seus símbolos e etc.) tentando manchar a moral da Igreja Católica Apostólica.

Muitos ignoram que a Igreja ensina moral e fé ao seus filhos e não a todos. As exortação da Igreja são para os que pretendem estar inseridos nela. Falam mal da Igreja com relação ao celibato e a castidade, mas aplaudem os budistas (que também o fazem), Ignoram também, todo o bem que a Igreja trouxe a humanidade. Inspirando nosso sistema universitário e judiciário, incentivando a cultura, arte e música, criando a ajuda para feridos de guerra (Cruz Vermelha), inúmeras instituições de caridade e ensino e etc.

Tolera-se tudo, menos a sã doutrina.
Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. .Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. II Timóteo 4: 3-4

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Inquisição - Realmente o monstro que pintam? Terceira parte(Final).







Vimos nos textos anteriores, de forma resumida, como aconteceram e como deveriam ter acontecido os diferentes tipos de inquisições. Vimos também os aspectos particulares das inquisições Espanhola e Portuguesa, esta última, também englobando o Brasil.



Através destes textos pudemos navegar ligeiramente, mas com veracidade, nos acontecimentos da inquisição e, com senso critico, inteligência e honestidade, percebemos que pouco ou nada nos é passado sobre a verdade da mesma.



É fácil ver o quanto o Estado foi responsável pelas barbáries cometidas e o quanto se esforçam, os inimigos da fé, por atribuir estas a igreja, embora alguns clérigos tenham compactuado com o Estado para tal. Toda via a Igreja , quanto instituição e parâmetros, se mostrou e sempre mostrará totalmente contrária e aos excessos ocorridos.



Porém, como Mãe humilde, a Igreja, na pessoa do Papa João Paulo II, pediu perdão pela corrupção e excessos cometidos por clérigos e leigos neste período.

Nota-se que muito foi atribuído a Igreja, mesmo mortes causadas por protestantes ou interesses tipicamente políticos do Estado.



Mesmo assim, comparada com tantos outros eventos religiosos, militares ou culturais, a inquisição tem uma envergadura mínima, porém a proporção que tem até os dias de hoje é muito maior.

Na mídia, a inquisição sempre é inflada com o fim de desmoralizar a Igreja e sua fé. Não encontrando em seu princípio, tradição e doutrina algo reprovável, se utilizam destes artifícios para que se veja a Igreja de forma caricaturada.



Devemos , ao ler este texto, manter um espírito de honestidade, libertando-nos do preconceito e das informações infundadas, impregnadas em nós por diversos motivos.

Convido ao leitor a questionar-se sobre suas fontes e seus conhecimentos sobre este determinado assunto, refletindo sobre a credibilidade e , automaticamente, veracidade de seus dados.

Este estudo, limitado e bem resumido, não têm a pretensão de esgotar o assunto, mas apenas aguçar o leitor, levando-o a estudar mais, através de fontes fidedignos e imparciais.







quarta-feira, 29 de abril de 2009

Inquisição - Realmente o monstro que pintam? Segunda parte.




Vemos na primeira parte do estudo o quanto o Estado estava ligado a inquisição e principalmente a aplicação das penas.
Como podemos ilustrar, comparando com os dias atuais sem querer resumir só nisso, a inquisição agiria da seguinte forma:
Uma pessoa acusada de estupro, seria interrogado pelos inquisidores. Se a culpa fosse declarada e o réu nao se arrependesse, o mesmo receberia a pena da igreja e depois seria entregue ao poder civíl que também aplicaria a sua pena. Em resumo, Tinha sua excomunhão decretada (pena da igreja) e posteriormente era preso, torturado ou executado(pena do estado).
O Estado, este sim, era responsável pelas penas, seja ela de morte, prisão e etc. Pelo contexto histórico verificamos que os crimes religiosos eram também tratados pelo estado, pois a divisão entre Estado e igreja eram quase inexistentes. Por isso um crime contra a religião era também um crime civíl.
Sabemos também que existiram abusos por parte de clérigos, que eram influenciados pelo estado ou chamados ao clero diretamente por força do mesmo.
Algo também muito interessante era que muitos criminosos comuns preferiam serem julgados pela inquisição do que diretamente pelo estado, pois o estado aplicava sua pena sumarimente, sem direito a investigação ou defesa e convenientemente se usando da morte, tortura, sequestro dos béns e etc. de forma harbitraria. Para serem julgados pela inquisição tratavam de assuciar motivos religiosos aos seus atos de desordem civíl.

Hoje em nossos estudos veremos como o Estado influenciou de forma danosa a Igreja e como se deu a inquição espanhola (a mais sangrenta), portuguesa e brasileira.

Para entender com um pouco mais de profundidade a inquisição e sua época, é importantíssimo que se leia este artigo:
http://www.veritatis.com.br/article/3340

O ESTADO MANIPULOU A IGREJA DURANTE O TEMPO DA INQUISIÇÃO?


Em resposta a uim internalta o Apostolado Veritatis Spledor reponde assim:

Nunca nossos antepassados foram mais sábios nem mais bem inspirados do que quando decidiram que as mesmas pessoas presidiriam a religião e governariam a república”. Essa frase pertence a Cícero, pensador que viveu antes de Cristo e que demonstra como a idéia da união da religião com o Estado parecia conveniente e extremamente pertinente a um contexto anterior ao nosso.

O fato é que desde o início do cristianismo, com Constantino publicando o edito de Milão e com as sociedades aderindo pouco a pouco ao cristianismo, o próprio Estado começa um caminho natural de atração a fé católica até uma união verdadeira. Durante os muitos séculos da cristandade, Igreja e Estado eram como que uma coisa só, o que não deixou de tecer enormes benefícios mas também grandes danos para ambas as partes.

A sua dúvida faz referência provável ao caso notável da Inquisição Espanhola, aonde o nome da Igreja fora emprestado, por assim dizer, pelo governo que autorizou, através de religiosos por ela mesma ordenada, barbaridades das quais até hoje a Igreja Católica é acusada e dita como condenada. Muitos foram para a fogueira, assim como padres, Bispos, religiosos que denunciavam a prática condenável do poder central. Como ensina DUFFY em sua obra sobre a história de todos os Papas: “Com toda sua mesurice para com o catolicismo, o Estado, controlando o episcopado fazia senão manipular a religião em benefício próprio, negando-lhe a liberdade de expressão e de ação fundamental para o Evangelho” (Santos e Pecadores, a história dos Papas. 1998, p. 219)

No Brasil esta manipulação também se fazia uma realidade que causava grande revolta entre os religiosos. Em um caso historicamente conhecido, o Império ordena alguns novos Bispos, notóriamente maçons. Bispos, como o de Belém, dom Macedo Costa e o de Olinda, dom Vital de Oliveira, denunciam a prática abusiva e expulsam os maçons ordenados pelo Estado das irmandades, o que não é aceito pelo governo imperial, que muito ligado à maçonaria condena os dois Bispos para a prisão em 1875.

Visto que o catolicismo é de sobremaneira uma instituição atemporal, e o Estado basicamente uma organização temporal, conflito é algo inevitável, mas nesse determinado momento da história o problema começa a se tornar insustentável e insuportável para a Igreja Católica, já que a autoridade Papal era simplesmente desprezada muitas vezes. DUFFY explica sobre este período de forma clara: “Os católicos de mentalidade reformista nada viam de errado nas restrições que o príncipe ou o Estado porventura impusessem à interferência dos Papas” (DUFFY, 1998, p. 216).

Então num fenômeno mundial, chamado de ultramontanismo, proclamando o poder e a autoridade do Papa para além das montanhas, se inicia um processo de centralização da autoridade da Igreja na figura do Papa passando assim, a estar num nível acima de qualquer autoridade política. SCHATZ, traduziria de forma enérgica o espírito da época em sua obra Papa Primacy from its Origins to the Present, citando o conde Joseph de Maistre, embaixador da Sardenha em São Petersburgo no ano de 1819: “Não pode haver moralidade pública nem caráter nacional sem religião; não pode haver cristianismo sem catolicismo; não pode haver catolicismo sem Papa e não pode haver Papa sem a soberania que lhe merece” (SCHATZ, 1996, p. 148-9). A partir de então o que veremos é um movimento mundial de separação entre Igreja e Estado; agora é tarefa do leigo a de cuidar dos processos políticos de cada país.

Este é um assunto muito interessante e por se tratar de história, muito extenso e complexo também. O que apresentamos aqui é uma forma bem resumida do que encontrará em bons livros e também no nosso campo de pesquisa.

Esperamos ter ajudado, em Cristo Jesus:

Silvio L. Medeiros

Obras consultadas:

DUFFY, Eamon. Santos e Pecadores – História dos Papas. Cosac & Naify Edições, São Paulo. 1998, 326p.
SCHATZ, Papa Primacy from its Origins to the Present, Collegeville, Minnessota, 1996.


A Inquisição Espenhola


D. Estevão Bettencourt, osb

Já estudamos a lnquisição Medieval nos capítulos 33 e 34.Passamos à Inquisição Espanhola, que teve suas características próprias.

Origem da lnquisição Espanhola

Os reis Fernando e Isabel, visando a plena unificação de seus domínios, tinham consciência de que existia uma instituição eclesiástica, a lnquisição ´ oriunda na ldade Média com o fim de reprimir um perigo religioso e civil dos séculos XI/XII (a heresia cátara ou albigense); a este perigo pareciam assemelhar´se as atividades dos marranos (judeus) e mouriscos (árabes) na Espanha do século XV.

1) A lnquisição Medieval, que nunca fora muito ativa na península ibérica, achava´se a mais ou menos adormecida na segunda metade do séc. XV Aconteceu, porém, que durante a Semana Santa de 1478 foi descoberta em Sevilha uma conspiração de marranos, a qual muito exasperou o público. Então lembrou´se o rei Fernando de pedir ao Papa, reavivasse na Espanha a antiga Inquisição, e a reavivasse sobre novas bases, mais promissoras para o reino, confiando sua orientação ao monarca espanhol. Sixto IV, assim solicitado, resolveu finalmente atender ao pedido de Fernando (ao qual, depois de hesitar algum tempo, se associara Isabel). Enviou, pois, aos reis da Espanha o Breve de 19 de novembro de 1478, pelo qual “conferia plenos poderes a Fernando e Isabel para nomearem dois ou três lnquisidores, arcebispos, bispos ou outros dignitários eclesiásticos, recomendáveis por sua prudência e suas virtudes, sacerdotes seculares ou regulares, de quarenta anos de idade ao menos, e de costumes irrepreensíveis, mestres ou bacharéis em Teologia, doutores ou licenciados em Direito Canônico, os quais deveriam passar de maneira satisfatória por um exame especial. Tais lnquisidores ficariam encarregados de proceder contra os judeus batizados reincidentes no judaísmo e contra todos os demais culpados de apostasia. o Papa delegava a esses oficiais eclesiásticos a jurisdição necessária para instaurar os processos dos acusados conforme o Direito e o costume; além disto, autorizava os soberanos espanhóis a destituir tais Inquisidores e nomear outros em seu lugar, caso isto fosse oportuno” (L.Pastor, Histoire des Papes IV 370). Note´se bem que, conforme este edito, a lnquisição só estenderia sua ação a cristãos batizados, não a judeus que jamais houvessem pertencido a lgreja; a instituição era, pois, concebida como órgão promotor de disciplina entre os filhos da Igreja, não como instrumento de intolerância em relação às crenças não´cristãs.

Procedimentos da Inquisição

Apoiados na Iicença pontifícia, os reis da Espanha aos 17 de setembro de 1480 nomearam lnquisidores, com sede em Sevilha, os dois dominicanos Miguel Morillo e Juan Martins, dando´lhes como assessores dois sacerdotes seculares. os monarcas.promulgaram também um compêndio de “Instruções”, enviado a todos os tribunais da Espanha, constituindo como que um código da Inquisição, a qual assim se tornava uma espécie de órgão do Estado civil. Os Inquisidores entraram logo em ação, procedendo geralmente com grande energia. Parecia que a lnquisição estava a serviço não da Religião propriamente, mas dos soberanos espanhóis, os quais procuravam atingir criminosos mesmo de categoria meramente política. Em breve, porém, fizeram´se ouvir em Roma queixas diversas contra a severidade dos Inquisidores. Sixto IV então escreveu sucessivas cartas aos monarcas da Espanha, mostrando´lhes profundo descontentamento por quanto acontecia em seu reino e baixando instruções de moderação para os juízes tanto civis como eclesiásticos. Merece especial destaque neste particular o Breve de 2 de agosto de 1482, que é o Papa, depois de promulgar certas regras coibitivas do poder dos Inquisidores, concluia com as seguintes palavras: “Visto que somente a caridade nos toma semelhantes a Deus. rogamos e exortamos o Rei e a Rainha, pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que imitem Aquele de quem é caracteristico ter sempre compaixão e perdão. Queiram, portanto, mostrar´se indulgentes para com os seus súditos da cidade e da diocese de Sevilha que confessam o erro e imploram a misericórdia!” Contudo, apesar das freqüêntes admoestações pontifícias, a Inquisição Espanhola ia´se tornando mais e mais um órgão poderoso de influência e atividade do monarca nacional. Para comprovar isto, basta lembrar o seguinte: a Inquisição no território espanhol ficou sendo instituto permanente durante três séculos a fio. Nisto diferia bem da Inquisição Medieval, a qual foi sempre intermitente, tendo em vista determinados erros oriundos em tal e tal localidade. A manutenção permanente de um tribunal inquisitório impunha avultadas despesas, que somente o Estado podia tomar a seu cargo; foi o que se deu na Espanha: os reis atribuiam a si todas as rendas materiais da lnquisição (impostos, multas, bens confiscados) e pagavam as respectivas despesas; conseqüentemente alguns historiadores, referindo´se à Inquisição Espanhola, denominaram´na “Inquisição Régia!”

Emancipada de Roma

A fim de completar o quadro até aqui traçado, passemos a mais um pormenor característico do mesmo. Os reis Fernando e Isabel visavam a corroborar a Inquisição, emancipando´a do controle mesmo de Roma... Conceberam então a idéia de dar à instituição um chefe único e ´plenipotenciário ´ o lnquisidor´Mor ´, o qual julgaria na Espanha mesma os apelos dirigidos a Roma. Para este cargo, propuseram à Santa Sé um religioso dominicano, Tomás de Torquemada (“a Turrecremata”, em latim), o qual em outubro de 1483 foi realmente nomeado Inquisidor´Mor para todos os territórios de Fernando e Isabel. Procedendo à nomeação escrevia o Papa Sixto IV a Torquemada: “Os nossos carissimos filhos em Cristo, o rei e a rainha de Castela e Leão, nos suplicaram para que te designássemos como Inquisidor do mal da heresia nos seus reinos de Aragão e Valença, assim como no principado de Catalunha” (Bullar.ord. Praedicatorum /// 622). O gesto de Sixto IV só se pode explicar por boa fé e confiança. O ato era, na verdade, pouco prudente... Com efeito; a concessão benignamente feita aos monarcas seria pretexto para novos e novos avanços destes: os sucessores de Torquemada no cargo de Inquisidor´Mor já não foram nomeados pelo Papa, mas pelos soberanos espanhóis (de acordo com critérios nem sempre louváveis). Para Torquemada e sucessores, foi obtido da Santa Sé o direito de nomearem os lnquisidores regionais, subordinados ao lnquisidor´Mor. Mais ainda: Fernando e Isabel criaram o chamado “Conselho Régio da Inquisição”, comissão de consultores nomeados pelo poder civil e destinados como que a controlar os processos da Inquisição; gozavam de voto deliberativo em questões de Direito civil, e de voto consultivo em temas de Direito Canônico. Uma das expressões mais típicas da autonomia arrogante do Santo ofício espanhol é o famoso processo que os Inquisidores moveram contra o arcebispo primaz da Espanha, Bartolomeu Carranza, de Toledo. Sem descer aos pormenores do acontecimento, notaremos aqui apenas que durante dezoito anos contínuos a Inquisição Espanhola perseguiu o venerável prelado, opondo´se a legados papais, ao Concílio Ecumênico de Trento e ao próprio Papa, em meados do séc. XVI. Frisando ainda um particular, lembraremos que o rei Carlos III (1759´1788) constituiu outra figura significativa do absolutismo régio no setor que vimos estudando. Colocou´se peremptoriamente entre a Santa Sé e a Inquisição, proibindo a esta que executasse alguma ordem de Roma sem licença prévia do Conselho de Castela, ainda que se tratasse apenas de proscrição de livros. O lnquisidor´Mor, tendo acolhido um processo sem permissão do rei, foi logo banido para localidade situada a doze horas de Madrid; só conseguiu voltar após apresentar desculpas ao rei, que as aceitou, declarando:

“O Inquisidor Geral pediu´me perdão, e eu Iho concedo,´ aceito agora os agradecimentos do tribunal,´ protegê´lo´ei sempre, mas não se esqueça desta ameaça de minha cólera voltada contra qualquer tentativa de desobediência” (cf. Desdevises du Dezart, L’Espagne de I’Ancien Regime. La Société 101s). A história atesta outrossim como a Santa Sé repetidamente decretou medidas que visavam a defender os acusados frente à dureza do poder régio e do povo. A Igreja em tais casos distanciava´se nitidamente da lnquisição Régia, embora esta continuasse a ser tida como tribunal eclesiástico. Assim aos 2 de dezembro de 1530, Clemente VII conferiu aos lnquisidores a faculdade de absolver sacramentalmente os delitos de heresia e apostasia; destarte o Sacerdote poderia tentar subtrair do processo público e da infâmia da Inquisição qualquer acusado que estivesse animado de sinceras disposições para o bem. Aos 15 de junho de 1531, o mesmo Papa Clemente VII mandava aos Inquisidores tomassem a defesa dos mouriscos que, ´ocabrunhados de impostos pelos respectivos senhores e patrões, poderiam conceber ódio contra o Cristianismo. Aos 2 de agosto de 1546, Paulo III declarava os mouriscos de Granada aptos para todos os cargos civis e todas as dignidades eclesiasticas. Aos 18 de janeiro de 1556, Paulo IV autorizava os sacerdotes a absolver em confissão sacramental os mouriscos. Compreende´se que a Inquisição Espanhola, mais e mais desvirtuada pelos interesses às vezes mesquinhos dos soberanos temporais, não podia deixar de cair em declínão. Foi o que se deu realmente nos séculos XVIII e XIX. Em conseqüência de uma revolução, o Imperador Napoleão I interveio no governo da nação, aboliu a Inquisição Espanhola por decreto de 4 de dezembro de 1808. o rei Fernando VII, porém, restaurou´a em 1814, a fim de punir alguns de seus súditos que haviam colaborado com o regime de Napoleão. Finalmente, quando o povo se emancipou do absolutismo de Fernando VIl, restabelecendo o regime liberal no país, um dos primeiros atos das Cortes de Cadiz foi a extinção definitiva da Inquisição em 1820. A medida era, sem dúvida, mais do que oportuna, pois punha termo a uma situação humilhante para a Sta. Igreja.

Tomás de Torquemada

Tomás de Torquemada nasceu em Valladolid (ou, segundo outros, em Torquemada) no ano de 1420 Fez´se Religioso dominicano, exercendo por 22 anos o cargo de Prior do convento de Santa´Cruz em Segóvia. Já aos 11 de fevereiro de 1482 foi designado por Sixto IV para moderar o zelo dos lnquisidores espanhóis. No ano seguinte o mesmo Pontífice o nomeou Primeiro Inquisidor de todos os territórios de Fernando e Isabel. Extremamente austero para consigo mesmo, o frade dominicano usou de semeIhante severidade nos seus procedimentos judiciários. Dividiu a Espanha em quatro setores inquisitoriais, que tinham como sedes respectivas as cidades de Sevilha, Córdova, Jaen e Villa (Ciudad) Real. Em 1484 redigiu, para uso dos lnquisidores, uma “Instrução”, opúsculo que propunha normas para os processos inquisitoriais, inspirando´se em tramites já usuais na Idade Média; esse libelo foi completado por dois outros do mesmo autor, que vieram a lume respectivamente em 1490 e 1498. O rigor de Torquemada foi levado ao conhecimento da Sé de Roma; o Papa Alexandre VI, como dizem algumas fontes históricas, pensou então em destitui´lo de suas funções; só não o terá feito por deferência a corte da Espanha. O fato é que o Pontífice houve por bem diminuir os poderes de Torquemada, colocando a seu lado quatro assessores munidos de iguais faculdades (Breve de 23 de junho de 1494). Quanto ao número de vítimas ocasionadas pelas sentenças de Torquemada, as cifras referidas pelos cronistas são tão pouco coerentes entre si que nada se pode afirmar de preciso sobre o assunto. Tomás de Torquemada ficou sendo, para muitos, a personificação da intolerância religiosa, homem de mãos sangüinolentas...Os historiadores modernos, porém, reconhecem exagero nessa maneira de conceituá´lo; levando em conta o caráter pessoal de Torquemada, julgam que este Religioso foi movido por sincero amor é verdadeira fé, cuja integridade lhe parecia comprometida pelos falsos cristãos; daí o zelo extraordinário com que procedeu. A reta intenção de Torquemada ter´se´á traduzido de maneira pouco feliz. De resto, o seguinte episódio contribui para desvendar outro traço, menos conhecido, do frade dominicano: em dada ocasião, foi levada ao Conselho Régio da Inquisição a proposta de se impor aos muçulmanos ou a conversão ao Cristianismo ou o exilio. Torquemada opôs´se a essa medida, pois queria conservar o clássico princípio de que a conversão ao Cristianismo não pode ser extorquida pela violência; por conseguinte, a Inquisição deveria restringir sua ação aos cristãos apóstatas; estes, e somente estes, em virtude do seu Batismo, tinham um compromisso com a Igreja Católica. Como se vê Torquemada, no fervor mesmo do seu zelo, não perdeu o bom senso neste ponto. Exerceu suas funções até a morte, aos 16/09/1498.

PODER RÉGIO E INQUISIÇÃO EM PORTUGAL


Por Dom Estêvão Bettencourt, OSB

Em síntese: O Instituto Histórico e Geográfico do Brasil publicou os Regimentos da Inquisição em Portugal (vigentes também no Brasil) datados de 1552, 1613, 1640 e 1774 (este assinado pelo Marquês do Pombal). São acompanhados de uma Introdução redigida pela Profá Sônia Aparecida de Siqueira, que põe em evidência o fato de que a Inquisição nunca foi uma instituição meramente eclesiástica, mas, em virtude da lei do padroado, foi mais e mais dirigida pela Coroa de Portugal em vista de seus interesses políticos. A Santa Sé teve de se opor mais de uma vez aos processos da Inquisição, a fim de tutelar os cristãos-novos e outros cidadãos julgados pelo Tribunal.

A Inquisição está sempre em foco. É motivo de acusações à Igreja, muitas vezes mal fundamentadas ou repetidas como chavões, sem que o público tenha acesso aos documentos básicos que nortearam a Inquisição. Poucas pessoas têm contato direto com os arquivos e as fontes escritas do movimento inquisitorial.

Eis que o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB) publicou no número 392 (ano 157) da sua revista, correspondente a julho/setembro 1996 (pp. 495-1020) os Regimentos do Santo Ofício da Inquisição do Reino de Portugal datados de 1552, 1613, 1640, 1774 (este assinado pelo Marquês de Pombal), além de um Regimento sem data. Tal edição esteve aos cuidados da ProP Sônia Aparecida de Siqueira, sócia-correspondente do IHGB em São Paulo, que escreveu longa Introdução a tais documentos. Como nota o Prof. Arno Wehling, presidente do IHGB em 1996, a Dra- Sônia Aparecida "localizou a Inquisição e seus sucessivos regimentos nos diferentes momentos históricos, sublinhando, inclusive, a progressiva expansão do poder real sobre a instituição, culminando no regime sectarista" (p. 495).

Como se sabe, a Inquisição nunca (nem na Idade Média) foi um Tribunal meramente eclesiástico. Isto era inconcebível outrora, dado que o Estado era oficialmente cristão e, por isto, se julgava responsável pelos interesses da fé cristã; a tal título intervinha ele em questões de foro religioso, por vezes ditando normas àIgreja. Tal realidade se acentuou na pensínsula ibérica (Espanha e Portugal) a partir do século XVI, em virtude dos privilégios do padroado. Com efeito, já que os reis de Espanha e Portugal eram descobridores de novas terras, às quais levavam a fé católica, a Santa Sé lhes concedeu poderes especiais para organizarem a vida da Igreja nas regiões recém-descobertas; daí a grande ingerência nos assuntos religiosos, a título de colaboração com a Igreja, ... colaboração que redundou, aos poucos, em sufocação da autoridade eclesiástica em favor dos interesses da Coroa.

Nas linhas subseqüentes, apresentaremos as origens da Inquisição em Portugal e alguns traços da explanação da Profá Sônia Aparecida, que põem em relevo a intervenção sempre mais prepotente dos monarcas em assuntos inquisitoriais.

1. Origens da Inquisição Portuguesa

O rei D. João III de Portugal (1521-57) desejava que o Papa estabelecesse a Inquisição em seu reino, tendo em vista especialmente a eliminação dos judeus não plenamente convertidos ao Cristianismo. Durante 27 anos, S. Majestade e a Santa Sé se defrontaram, visto que o rei pedia poderes, em matéria religiosa, que o Papa não lhe queria conceder: assim, conforme o monarca, o Inquisidor-mor seria escolhido pelo rei, assim como os outros Inquisidores (subordinados), podendo estes últimos ser não apenas clérigos, mas também juristas leigos, que passariam a ter a mesma jurisdição que os eclesiásticos. Mais: conforme o desejo do rei, os Inquisidores estariam acima dos Bispos e dos Superiores das Ordens Religiosas, de modo que poderiam processar e condenar eclesiásticos sem consultar os respectivos prelados; os Bispos ficariam impedidos de intervir em qualquer causa que os Inquisidores chamassem a si. Ainda: os Inquisidores poderiam impor excomunhões reservadas à Santa Sé e levantar as que eram impostas pelos Bispos. Como se vê, o rei queria desta maneira obter o controle total sobre os Bispos e a Igreja em Portugal.

Finalmente aos 17/12/1531 o Papa Clemente VII concedeu a Inquisição em Portugal, mas em termos que contrariavam às solicitações de D. João III: em vez de outorgar ao rei poderes para nomear os Inquisidores, o Papa nomeou diretamente um Comissário da Sé Apostólica e Inquisidor no reino de Portugal e nos seus domínios. Esse Comissário poderia nomear outros Inquisidores, mas a sua autoridade não estava acima da dos Bispos, que poderiam também, por seu lado, investigar as heresias.

Os termos desta Bula ou concessão nunca foram aplicados em Portugal. O Inquisidor nomeado, Frei Diogo da Silva, era o confessor do rei; não aceitou o cargo, talvez por pressão do monarca. Apesar disto, em meio a grande agitação popular, começaram a funcionar tribunais inquisitoriais em algumas dioceses anarquicamente. Em conseqüência, o Papa suspendeu a Inquisição e, alegando que o rei o enganara (escondendo-lhe a conversão forçada de judeus no reinado de D. Manoel, 14951521), ordenou a anistia aos judeus e a restituição dos bens confiscados (Bula de 07/04/1535).

As razões sobre as quais se baseavam tais decisões de Clemente VII, são assaz significativas: a conversão -dos judeus infiéis deve ser propiciada mediante a persuasão e a doçura, das quais Cristo deu o exemplo, respeitando sempre o livre arbítrio humano; a conversão violenta ou extorquida dos judeus sob o reinado de D. Manoel era tida como façanha que não se deveria reproduzir. A Santa Sé assim procurava defender e proteger os cristãos-novos, vítimas do poder régio.

O Papa Clemente VII, que resistira a D. João III, morreu em 1534, tendo por sucessor Paulo III. O rei voltou a insistir junto ao Pontífice para conseguir o tipo de tribunal de Inquisição que atendia aos interesses da Coroa. Não o obteve propriamente, mas por Bula de 23/05/1536 Paulo III restabeleceu a Inquisição em Portugal, nomeando três Inquisidores e autorizando o rei a nomear outro; além disto, o Pontífice mandava que, durante três anos, os nomes das testemunhas de acusação não fossem acobertados por segredo e durante dez anos os bens dos condenados não fossem confiscados; os Bispos teriam as mesmas faculdades que os Inquisidores na pesquisa das heresias. Por intermédio de seu Núncio em Lisboa, o Papa reservava a si o direito de fiscalizar o cumprimento da Bula, de examinar os processos quando bem o entendesse e de decidir em última instância.

É a partir desta Bula (23/05/1536) que se pode considerar estabelecida a Inquisição em Portugal. O rei, que não se dava por satisfeito com as disposições da Santa Sé, começou a burlá-las. Quis, antes do mais, subtrair a Inquisição à vigilância do Pontífice e, para tanto, suscitou incidentes numerosos a ponto de obrigar a partir o Núncio Capodiferro, que tinha poderes para suspender o tribunal, caso não fossem respeitadas as cláusulas de proteção aos cristãos-novos. Além disto, nomeou Inquisidor o Infante D. Henrique, seu irmão, então arcebispo de Braga, que, com seus 27 anos, não tinha idade legal para exercer tais funções. Enfim aproveitava ou provocava ocasiões ou pretextos para fazer que o público cresse na má fé dos judeus convertidos (cristãosnovos): assim apareceu um cartaz nas portas da catedral e de outras igrejas de Lisboa, anunciando a chegada próxima do Messias ...; um alfaiate de Setúbal apresentou-se ao público como Messias - o que não foi levado a sério pela população, mas bastou para que os agentes do rei fizessem grandes represálias e tentassem convencer Roma dos perigos do judaísmo em Portugal.

Apesar da má vontade do rei, o Papa fazia questão de manter sob seu controle o Santo Ofício em Portugal. Reforçando normas anteriores, o Pontífice emitiu nova Bula em 12/10/1539, que proibia aduzir testemunhas secretas e concedia outras garantias aos acusados, entre as quais o direito de apelação para o Papa; determinava outrossim que os emolumentos dos Inquisidores não fossem pagos mediante os bens dos prisioneiros.

Também esta Bula não foi observada em Portugal. O Papa então resolveu suspender a Inquisição pelo Breve de 22/09/1544; tomou a precaução de fazer publicar de surpresa em Lisboa este documento, levado secretamente para lá por um novo Núncio. O rei, profundamente golpeado, jogou a sua última cartada; requereu ao Papa que revogasse a suspensão e restaurasse a Inquisição sem qualquer limitação, e acrescentava a ameaça: "Se Vossa Santidade não prover nisso, como é obrigado e dele se espera, não poderei deixar de remediá-lo confiando em que não somente do que suceder Vossa Santidade me haverá por sem culpa, mas também os príncipes e os fiéis cristãos que o souberem, conhecerão que disso não sou causa nem ocasião".

Tais palavras continham a ameaça de desobediência formal ao Papa e de cisão na Igreja. D. João III seguiu o conselho que lhe fora dado pelos seus dois enviados à Santa Sé em 1535: negasse obediência ao Papa, imitando o exemplo do rei Henrique VIII da Inglaterra. Entre a obediência ao Papa, como fiel católico, e a rebeldia declarada que lhe permitisse instituir um tribunal, que era no fundo um instrumento da política régia, o rei de Portugal estava disposto a seguir a segunda via.

O Pontífice via-se naquele momento (1544/45) premido por outras graves preocupações, como a convocação e a preparação do Concílio de Trento, sobre o qual o Imperador Carlos V e outros monarcas tinham seus interesses. Em conseqüência, acabou por aceitar os pontos principais da solicitação de D. João III: por Bula de 16/07/1547, nomeou lnquisidor-Geral o Cardeal Infante D. Henrique e retirou aos Núncios em Lisboa a autoridade para intervirem nos assuntos de alçada da Inquisição; esta seguiria seus trâmites próprios, diversos dos habituais nos processos comuns. Ao mesmo tempo, porém, o Papa mitigava suas disposições: promulgou um Breve que suspendia o confisco de bens por dez anos; outro Breve suspendia por um ano a entrega de condenados ao braço secular (ou a aplicação da pena de morte). Em outro Breve ainda o Papa fazia recomendações tendentes a moderar os previsíveis excessos da Inquisição e a permitir a partida dos cristãos-novos para o estrangeiro. Pouco antes de morrer ou aos 08/01/1549, Paulo III editou novo Breve, que abolia o segredo das testemunhas - Breve este que provavelmente nunca foi aplicado em Portugal.

2. Inquisidor sempre mais regalista

Eis algumas passagens muito significativas da Introdução redigida pela Prof. Sônia Aparecida:

2.1. Cristãos novos

"Urgia acalmar a inquietação causada pela presença dos cristãos-novos, inimigos em potencial pelo seu supranacionalismo. O combate às minorias dissidentes era um programa inadiável. Os neocristãos podiam ser portadores do fermento herético por suas crenças residuais e por seus íntimos contatos com luteranos e judeus. E mais. Com a frutificação das descobertas, da exploração do mundo colonial que se montava, com o comércio ultramarino, com a urbanização progressiva, os cristãos-novos ganhavam força econômica e tendiam a uma solidariedade que lhes acrescia o poder de ação no meio social. O trono sentiu a ameaça que representariam se não fossem bons cristãos. Reagiu. A Inquisição foi criada e estendeu-se sobre cristãos-novos, cristãos-velhos, povo, hierarquias" (pp. 502s).

"Certas determinações de Roma avocando a si, diretamente, ou por meio de seus Núncios, jurisdição sobre os cristãos-novos revelam que existia ainda uma certa indefinição da hierarquia judicial, bem como o propósito pontifício de reservar para a Cúria a jurisdição superior. Em 1533, a Bula de Clemente VII Sempiterno Regi revogou todos os poderes que haviam sido outorgados a Frei Diogo da Silva, Inquisidor-mor de Portugal, chamando a si todas as causas dos cristãos-novos, mouros e heréticos. Em 1534, um Breve de Paulo III dirigido a D. João III mandava que os Inquisidores suspendessem os processos contra pessoas suspeitas de heresia. Em 1535, uma Carta Pontifícia determinava que os Núncios de Portugal pudessem conhecer as apelações dos cristãos-novos.

No mesmo ano, escrevia Paulo III ao rei sobre os cristãos-novos, e aos cristãos-novos; interferindo diretamente na definição do processo, concedia que pudessem tomar por procuradores e defensores quaisquer pessoas que quisessem.

As Bulas de perdão geral que paralisavam a ação do Tribunal vinham de Roma, diluindo, de tempos em tempos, a autoridade dos Inquisidores. Confirmando o primeiro perdão concedido por Clemente VII, concedia Paulo III um segundo em 1535 e, em 1547, pela Bula Illius qui misericors, concedia um terceiro. Ao depois, outros indultos gerais foram sendo concedidos, e, quando o próprio rei os negociava com os cristãos-novos, tinha de pleiteá-los junto à Cúria Romana, como aconteceu com Felipe III em 1605.

Aliás, as intromissões da Cúria nas atividades da Inquisição continuaram, decrescentes sem dúvida, mas constantes pelo tempo afora, dada a natureza de sua justiça. De 1678 a 1681, o Santo Ofício chegou a ser suspenso em Portugal por decisão do Pontífice, o que indica que, apesar da amplificação do absolutismo, os tribunais continuavam a carecer da aquiescência de Roma para atuar" (pp. 506s).

2.2. A figura do Inquisidor

"Capaz, idôneo, de boa consciência, devia ser o Inquisidor: requisitos que garantiriam a aplicação da justiça com equanimidade. Pedia-se também constância..." (p. 526). "O juízo coletivo sobre a Inquisição dependeria do comportamento de seus oficiais, de sua capacidade de corrigir as próprias imperfeições, de imolar impulsos e interesses em prol do bom nome do Tribunal. A verdade é que, na prática, ou por causa da vigilância social, ou do controle institucional, ou, talvez, da fusão dos ideais individuais com os do Santo Ofício, não temos notícia de escândalos ou abusos dos agentes inquisitoriais. Geralmente, as exceções apenas confirmariam a regra. Alguns Inquisidores, por suas virtudes ou pelo sacrifício, chegaram a ser elevados aos altares".

Em nota (74) diz a autora: "Não pertenceram ao Santo Ofício português, mas foram santificados os Inquisidores S. Raimundo Penafort, S. Toríbio Mongrovejo, S. Pedro de Verona, mártir, S. Pio V, S. Domingos de Gusmão, S. Pedro de Arbuês, S. João Capistrano. Beatificados foram Pedro Castronovo, legado cisterciense, Raimundo, arcediago de Toledo, Bernardo, seu capelão. Inquisidores também, dois clérigos, Fortanerio e Ademaro, núncios do Santo Ofício de Tolosa, martirizados pelos albigenses, Conrado de Marburg, mártir, pároco e Inquisidor da Alemanha, e o confessor de Sta.lsabel da Hungria, João de Salermo. O Inquisidor da Frísia e Holanda no século XVI, Guilherme Lindano, foi considerado Venerável" (p. 527).

2.3. A Inquisição Pombalina

"A idéia de separação de um Estado só político e de uma igreja só religiosa germina nessa época'. Pretende-se uma nova política religiosa que usa a tolerância como seu instrumento. Impunha-se conexão com o Absolutismo, ainda então vivo como idéia política. Limitar o poder jurisdicional da Igreja e difundir o espírito laico.

Em meio a esse clima das reformas pretendidas, a questão religiosa punha em relevo o Santo Ofício, tradicional defensor da ortodoxia das crenças, fiel zelador da unidade das consciências. Não se pensa em extingui-lo, mas, sim, em reformá-lo, adequando-o aos novos tempos. Urgia a elaboração de um novo Regimento que tornasse a Inquisição mais inofensiva e pusesse o Tribunal realmente nas mãos da Coroa.

Esse novo Regimento foi mandado executar pelo Cardeal da Cunha. No seu Preâmbulo, justifica-se a sua necessidade na medida em que as leis que geriam o Santo Ofício teriam sido, ao longo dos séculos, distorcidas pelos jesuítas, interessados em dar ao Papa o supremo poder sobre a Inquisição. Desde o governo do Cardeal Infante D. Henrique - dominado, diz o Cardeal da Cunha, pelo seu confessor, o jesuíta Leão Henriques -, até o Reinado de D. João V, foi o Tribunal escapando ao poder do rei. Teria chegado ao máximo a influência da Companhia, sob o Inquisidor D. Pedro de Castilho, que tornou a legislação mais jesuítica do que régia" (p. 562).

"Os tempos eram diversos. O Estado se configurava de outra maneira, definindo diferentes funções. Cioso de seu poder, recusava-se a partilhá-lo com quaisquer instituições ou estamentos. Impunha-se a necessidade de limitar o poder jurisdicional da Igreja. Assim o Regimento de 1774 visou o fortalecimento do poder da Coroa, invocando o direito do Reino. Instalava-se o regalismo absolutista como ideal de união cristã na ordem civil" (p. 563).

É importante conhecer os dados históricos dos quais as páginas deste artigo referem apenas alguns poucos traços. Contribuem para repor a verdade em foco, mostrando as causas latentes da Inquisição em Portugal (como também na Espanha). Os estudiosos não podem deixar de exprimir sua gratidão ao Instituto Histórico e Geográfico do Brasil pela publicação do trabalho da Prof. Sônia Aparecida de Siqueira e dos Regimentos da Inquisição Portuguesa (que vigoraram também no Brasil colonial).

BETTENCOURT, Dom Estêvão. Apostolado Veritatis Splendor: PODER RÉGIO E INQUISIÇÃO EM PORTUGAL. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/594. Desde 03/02/2002.

A INQUISIÇÃO NO BRASIL


Por Dom Estêvão Bettencourt, OSB

No Brasil nunca houve tribunal do Santo Ofício ou da Inquisição.

O país achava-se sob a competência do tribunal de Lisboa. Durante o século XVI, a Inquisição agiu discretamente. São conhecidos três processos e uma visita do Santo Ofício, sem graves conseqüências. Misturavam-se, às vezes, fatos reais de índole religiosa ou político-social com faltas graves aparentes ou supostas ou tendências perniciosas no campo religioso e social. A Inquisição no Brasil foi extinta em 1774 quando o Santo Ofício foi oficialmente transformado em tribunal régio, sem autonomia ou completamente dependente da Coroa. A Inquisição de Portugal contava três distritos: Évora, Coimbra e Lisboa, tendo este a jurisdição sobre o Brasil. Seja brevemente examinado o seu funcionamento no Brasil.

1. Século XVI

Como a Inquisição no Brasil estivesse sob a jurisdição do Tribunal de Lisboa, não houve na colônia, em nenhuma época, um tribunal próprio. Assim sendo, os processos eram levados para a Corte. No Brasil, os Inquisidores eram os Bispos. Mas, visto o grande número de novos convertidos, foi nomeado Inquisidor Apostólico D. Antonio Barreiros. Seus poderes limitavam-se aos cristãos-novos; era-lhe recomendado usar de prudência, moderação e respeito. A ação do Santo Ofício foi discreta, sendo conhecidos três processos e uma visita do Inquisidor de Portugal.

1.1. Os Processos

  1. a. Processo de Pero de Campo Tourinho, donatário da capitania de Porto Seguro, acusado de opor-se ao clero e ao Papa, e de desrespeitar as leis da Igreja. O processo iniciou-se no Brasil (1546) e terminou em Lisboa (1547). Não se sabe a conclusão. Supõe-se que o acusado tenha sido absolvido.

  2. b. Processo de João de Bolés (Jean Cointha, seigneur des Boulez), francês que viera com Villegaignon. Em 1557 começou a difundir doutrinas calvinistas e luteranas em São Paulo e depois na Bahia. O processo, iniciado no Brasil (1560), foi levado a Portugal, tendo João de Bolés lá chegado em 1563. Retratou-se, mas pouco depois começou novamente a difundir suas idéias, sendo então desterrado para as índias, onde foi condenado à morte, em 1572, como relapso e herege.

  3. c. Processo do Pe. Antonio de Gouveia. Oriundo dos Açores, foi ordenado sacerdote em Portugal. Em 1555 entrou na Companhia de Jesus, sendo dela despedido tempos depois. Deu-se à necromancia e, por isto, foi acusado no Tribunal da Inquisição. Preso, fugiu em 1564. Recapturado, foi degredado para os Açores. Tendo novamente fugido, foi descoberto de 1567 e desterrado para Pernambuco. Aqui conseguiu uso de ordens, mas, continuando as atividades "mágicas", foi preso e enviado ao Santo Ofício de Lisboa, embarcando em 1571. Em 1575 seu processo continuava, mas a partir desta data nada mais se sabe dele.

1.2. A primeira visitação do Santo Ofício

De 1591 a 1595 deu-se a primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil. A causa próxima foi a passagem da Colõnia ao domínio espanhol em 1580. Como o rei da Espanha possuísse idéias mais rígidas quanto aos cristãosnovos, julgou necessária uma visita do Santo Ofício.

O Visitador nomeado, Heitor Furtado de Mendonça, chegou à Bahia em julho de 1591. Poucos dias depois publicou o "Edito da Graça", período de trinta dias (de 28/7 a 27/8) em que haveria "muita moderação e misericórdia" aos que fossem acusados ou se viessem acusar. Houve muitas denúncias, versando sobre suspeitas de heresia, de judaísmo, escravização dos indígenas, bigamia etc. Em 1594 o Visitador passou a Pernambuco onde, após um período de "Graça", iniciou as audiências, seguindo até o ano de 1595, quando retornou a Lisboa. A par de algum erro ou imprevidência, não parece ter sido severo, usando, em muitos casos, de moderação.

2. Século XVII

Data deste século a segunda visita do Santo Ofício. Esta ocorreu entre setembro de 1618 e janeiro de 1619, sendo Inquisidor D. Marcos Teixeira. Os motivos devem prender-se à preocupação da Coroa Espanhola com os cristãos-novos, temendo que pudessem aliar-se aos holandeses, que naquele tempo pressionavam o Reino Unido. A colõnia, de fato, tornara-se lugar de refúgio e de degredo para os novos convertidos, que aqui se achavam em grande número.O Pe. Antonio Vieira, nessa época, defendeu a tolerância para com os cristãos-novos, idéia que se generalizou e continuou viva mesmo após a restauração, em 1640.

3. Século XVIII

Surgindo as minas de ouro, para as quais ia grande número de estrangeiros de todos os Credos, a política de tolerãncia vigente no século anterior começou a mudar. Intensificou-se a ação da Inquisição no Brasil. No reinado de D. José I (1750-77), a Inquisição decaiu, chegando praticamente a anular-se. Dois fatores contribuiram para a sua queda, ambos ligados à personalidade do Marquês de Pombal. Primeiramente, o Primeiro-ministro considerou-a contrária aos interesses da Corte, embora anos antes (1761) a tivesse utilizado contra o Pe. Gabriel Malagrida, por ter este, na ocasião do terremoto de Lisboa (1755), acusado de erros morais os membros da Corte. Além disto, em virtude de um desentendimento entre Pombal e o Santo Ofício em Portugal, chegou o rei D. José I a procurar minorar a ação do Tribunal. Assim é que em 1773 foram baixadas leis que acabaram com a distinção entre cristãos-novos e outros cristãos, e que proibiam qualquer discriminação por ascendência judaica. Em 1774 o Santo Ofício foi transformado num tribunal régio, sem autonomia, completamente dependente da Coroa, o que significou na prática a sua desativação. "Não obstante as falhas que se podem apontar contra todo e qualquer sistema repressivo, não é lícito nem honesto ver na atuação da Inquisição ou Santo Ofício somente a face negativa. Houve também vantagens para a fé e os bons costumes, evitando-se tolerância em demasia com desvantagens para a pureza da fé ou com tropelos dos mandamentos divinos, visto que a Inquisição não empregava somente a repressão, mas também a persuasão para corrigir desvios na fé ou nos costumes. Ademais, para muita gente que se deixa levar mais pelo temor que pelo amor, por muitas causas que não é o caso de abordar, toda ação coercitiva, quando psicologicamente bem orientada, pode ter seus reflexos positivos. Aliás, o Santo Ofício era, antes do mais, um tribunal eclesiástico que tinha em mente mover o culpado a reconhecer seu pecado, detestálo e prometer emenda. Só em casos de pertinácia agia com penas que variavam segundo a gravidade do delito e a renúncia ao perdão. No Brasil, felizmente, durante o século XVI, não temos a lamentar a pena capital entre os nascidos na terra, mesmo quando encaminhados ao tribunal de Lisboa" (RUBERT, Arlindo. A Igreja no Brasil. Origem e desenvolvimento (Século XVI), vol. 1. Santa Maria, Pallotti, 1981, p. 284).


BETTENCOURT, Dom Estêvão. Apostolado Veritatis Splendor: A INQUISIÇÃO NO BRASIL. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/596. Desde 03/02/2002.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Inquisição - Realmente o monstro que pintam? Primeira parte.





Neste fim de semana do dia 25 tive uma breve conversa com um amigo sobre inquisição.
O que não foi para a minha surpresa, ele mostrou-se bem "entendido" nas questão.

Percebemos que é muito fácil achar informações que mostrem a inquisição com a pior face possível, e as vezes uma face tão ruins que qualquer historiados serio diria ser impossível.
Infelizmente por causa de instituição e profissionais que não tem compromisso com a verdade história e contextual que, pessoas como este amigo, recebem informações distorcidas, inverídicas ou meias verdades, que so colaboram para uma visão totalmente parcial e preconceituosa dos acontecimentos.

Abaixo proponho um breve estudo sobre o assunto. Breve, porque o fato exige estudos profundíssimos e isso se tornaria dificílimo em um blog. Somente irei relatar abaixo, alguns pontos importantes e bem divulgados, porque através destes é que algumas pessoas formam conceitos sobre a Igreja e a idade média, e a maioria destes pontos ou foram sumariamente inventados e(ou) adulterados; ou não são contados com toda a veracidade que exigem.

Contudo este estudo pode parecer longo para um leitor de blog, mas valerá a pena chegar ao final.

Usarei aqui diversas fontes, livros e sites que são perfeitamente confiáveis e comprometidos com a ortodoxia da fé. São eles:
Veritatis Splendor
Doutrina Católica
Cleofas
Sociedade Católica
Santa Sé (Site Oficial da Igreja Católica Apostólica Romana)

Bem,
Para começarmos nossos estudos devemos primeiramente entender o contexto da época. Lembrar também que a inquisição atravessou diversos contextos culturais e temporais. Desta forma não é simples observar e julgar a inquisição. É necessário estudar bem os povos, as culturas e tudo mais que possa influir no pensamento e na vivência do homem nesta época.

Neste sentido podemos destacar o quanto a sociedade antes da inquisição era "violenta" aos nossos olhos.
Vejamos um texto do Site Sociedade Católica, que publica a entrevista do Prof. Dr. Roman Konik a revista Catolicismo.

Mito e Realidade Histórica
por Prof. Dr. Roman Konik
Doutor em filosofia, professor adjunto na Faculdade de Filosofia da Universidade de Wroclaw (Polônia).

A verdade é bem diferente da ficção que se divulga sobre a Inquisição. Há necessidade de analisá-la com serenidade, com base na ciência histórica e dentro do contexto da época de sua existência. O Prof. Dr. Roman Konik, nascido em 1968, além de publicista e comentarista de fatos quotidianos de seu país, é doutor em filosofia, professor adjunto da cátedra de estética na Faculdade de Filosofia da Universidade de Wroclaw (Polônia). É autor do livro Em Defesa da Santa Inquisição. A obra suscitou muita polêmica, e apesar do boicote sofrido por parte de livrarias — devido à legenda negra que se criou em torno do tema, apontando os inquisidores como “carniceiros”, torturadores, etc. –– despertou bastante interesse, já tendo sido vendidos mais de 35 mil exemplares. Com a polêmica, o jovem professor vem sendo convidado para conferências em diversas cidades de seu país, a fim de expor sua visão objetiva e bem documentada sobre o assunto, oposta aos mitos criados por certa literatura liberal contra o Tribunal do Santo Ofício.

Na entrevista concedida ao Sr. Leonardo Przybysz, nosso correspondente em Cracóvia (Polônia), comprova-se como os fatos — alicerçados na realidade histórica, e que se tornaram patentes mediante rigorosas pesquisas — diferem inteiramente das fantasias criadas e das detrações anti-Inquisição, embora não se negue que tenha havido certos abusos cometidos por alguns poucos inquisidores.

Entrevista:

Catolicismo — Em seu livro Em defesa da Santa Inquisição, o Sr. explica que a Inquisição não era a responsável pela execução das penas de morte, mas sim os tribunais leigos. Não será esse ponto de vista semelhante às opiniões de alguns historiadores judeus, que dizem não ter sido o Sinédrio o responsável pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o Tribunal Romano?

Prof. Konik — Sempre que tocamos no assunto do funcionamento da Inquisição, precisamos considerá-la sob o prisma da época em que ela atuou. Na Idade Média, a Religião constituía a garantia e o fator de coesão do Estado. Sempre que tentamos delimitar o Direito civil e o eclesiástico, encontramos dificuldades. Os leitores das crônicas de Gall Anonim (monge beneditino que escreveu a história da Polônia desde o início até o século XII; não se conhece seu nome; alguns dizem que vinha da Gália, daí o nome Gall Anônimo) muitas vezes fazem a pergunta: quebrar os dentes publicamente com um pedaço de pau, devido à quebra ostensiva do jejum, constituía uma pena civil ou eclesiástica? Na verdade, era uma pena civil à qual a Igreja se opunha.

Na Idade Média, os problemas criminais, civis e religiosos se interpenetravam. Lendo os autos dos processos inquisitoriais, mais de uma vez encontramos bandidos comuns que, surpreendidos pela polícia no ato de violação, de roubo, de assalto à mão armada, rapidamente inventavam uma motivação religiosa para explicar o seu procedimento. Por quê? Simplesmente para cair na esfera da justiça da Inquisição e não da justiça civil ou temporal. Pois a justiça inquisitorial garantia pelo menos uma investigação, em vez da pena de fogueira imediata, a qual — como a pena de morte ou o decepamento da mão — não foi absolutamente invenção dos inquisidores.

Lembremo-nos de que nesse período histórico aplicava-se a pena de morte até pela falsificação de dinheiro ou pela ofensa à majestade real. Analogamente aceitava-se o fato de que a ofensa dirigida a alguém superior ao rei, ou seja, a Deus, só poderia ser punida da mesma forma. Os hereges pertinazes, mais freqüentemente os heresiarcas (isto é, os autores de heresias) e que se recusavam a abandonar o erro eram tratados como rebelados comuns. Isso se compreende, considerando-se que a atuação de herejes como os cátaros destruía a ordem social.

Eles não aceitavam o funcionamento da sociedade civil e eclesiástica, incitavam à renúncia da medicina e à completa abstinência sexual, inclusive no casamento, ou ao ritual chamado endura (morte voluntária pela extenuação do organismo, ou morte pela fome). Promoviam o aborto, acreditando ser melhor uma criança não nascer neste "vale de lagrimas", e ir assim diretamente para o Céu. Grupos de hereges revoltosos atraíam os pobres para suas fileiras, sob a promessa de que, roubando aos ricos, contribuíam para criar uma igreja nova, na qual as chances seriam iguais para todos. Isso não era uma contravenção estritamente religiosa, razão pela qual muitas vezes, após o julgamento e definição do grau de heresia, os rebeldes eram entregues ao braço civil para que se procedesse ao devido processo penal que dizia respeito a questões criminais: roubo ou violação. Freqüentemente acabava em pena de morte, mas a responsabilidade dos inquisidores em relação ao direito era igual à de cada cidadão. Uma situação equivalente, hoje em dia, consistiria em a Igreja concluir de acordo com o Direito Canônico um processo de sacerdote por crime de pedofilia, e em seguida entregar o caso à Procuradoria para que concluísse a investigação e aplicasse a devida pena.A maior parte das heresias nascidas na Idade Média atingia sobretudo a justiça civil. Vale a pena lembrar que o tribunal inquisitorial, entregando o herege à autoridade civil, incluía uma carta recomendando prudência na decisão.

Catolicismo — Também em seu livro o Sr. aponta a criação de um quadro negativo da Inquisição através de livros (sobretudo O Nome da Rosa, de Umberto Eco), pinturas, filmes ou exposições. Realmente, muitos artistas que retrataram a Inquisição (por exemplo, Goya) não viveram na época de sua existência. Pode-se pois perguntar se é fidedigno o que apresentaram. O Sr. conhece artistas que viveram no tempo da Inquisição atuante, que a mostraram de modo fiel.

Prof. Konik — Na mente do homem de hoje, há uma idéia comum que considera o inquisidor como um velho monge encapuzado com inclinações sádicas, inflamado do desejo de autoridade. O melhor exemplo disso é a figura de Bernard Gui, inquisidor de Toledo, descrito pelo conhecido medievalista italiano Umberto Eco em seu livro O Nome da Rosa. Pior ainda é a imagem apresentada no filme realizado com base em tal obra. Bernard Gui, como figura histórica real, foi inquisidor de Toledo e durante 16 anos exerceu esse cargo. Julgou 913 pessoas, das quais apenas 42 ele entregou ao tribunal civil como perigosos rebeldes (reincidentes, pedófilos, criminosos), o que não significava absolutamente pena de morte para eles. Em muitos casos Gui indicava tratar-se de doença psíquica, suspeição de heresia, desistindo de interrogatórios. Segundo a visão preconceituosa dos protestantes, é certo que essas pessoas iriam para a fogueira, ao contrário da verdade histórica.

É importante registrar que escritores protestantes, pouco simpáticos à Inquisição, começaram a escrever a história dela de maneira desfavorável, apresentando-a deformada. Também nas expressões artísticas das épocas posteriores à medieval verificou-se um reflexo dessa visão caricatural. Mas basta analisar o mundo artístico medieval para observar quadros que apresentam São Domingos convertendo os hereges, São Bernardo de Claraval discutindo com eles, ou então pinturas de inquisidores-mártires morrendo nas mãos de hereges — por exemplo, o martírio de São Pedro de Verona; ou de São Pedro de Arbués, assassinado na catedral de Saragoça. Exemplo de ódio radical contra a Igreja e da manipulação a que me referi é um quadro no Museu Nacional de Budapeste, apresentando uma sala de torturas, intitulado no catálogo “Inquisição”. Só depois de muitos protestos de historiadores, mostrando que o quadro apresentava cena de tortura num tribunal civil, é que o título foi mudado para “Sala de torturas”.

Lembremo-nos de que foram as descrições caricaturais de Diderot, Voltaire e até Dostoiewski que formaram na mente do homem de hoje a visão da Inquisição como um espectro. Os historiadores poloneses também não ficaram atrás dos historiadores “progressistas”. Deparando diariamente com essa visão distorcida da Inquisição, o homem comum é inclinado a aceitá-la como verdadeira.

Catolicismo — O Sr. diz que os inquisidores eram pessoas simpáticas, esclarecidas. Mas tanto ouvimos falar deturpadamente sobre as inimagináveis e sádicas torturas...

Prof. Konik — Se isso fosse verdade, então por que tantos malfeitores esforçavam-se em demonstrar que suas infrações eram de natureza religiosa, para que dependessem de juízes-inquisidores? Certamente não era porque gostassem de ser torturados... Lembremo-nos de que nesse tempo os tribunais civis em geral aplicavam torturas como forma, por exemplo, de um acréscimo de castigo, que precedia a morte. Já nos tribunais inquisitoriais as torturas, quando aplicadas, o eram somente com o objetivo de obter informações muito importantes. Na legislação medieval a aplicação de torturas era geral, mas os tribunais inquisitoriais as adotaram de forma muito abrandada. Proibiam torturar mulheres grávidas, crianças ou pessoas idosas. Para aquela época, isso era considerado inovador, pois nos tribunais civis tais pessoas não eram excluídas da possibilidade de serem torturadas. Era proibido também torturar duas vezes a mesma pessoa. A aplicação de torturas devia ser decidida por aclamação de todos os juízes — como também do defensor do réu — e com a aprovação do bispo local e de um consultor independente. Ressalto que as torturas aplicadas pela Inquisição eram raras. Na França, onde se efetuava a luta contra a seita dos albigenses, durante 200 anos só três vezes decidiu-se aplicá-la. A tortura mais freqüente era privar o condenado de alimentação, ficando ele totalmente isolado.

Os tribunais da Inquisição foram os primeiros a garantir a defesa ex-ofício e o que hoje é praticado: a prisão domiciliar e a liberdade mediante caução. As informações obtidas através de torturas não podiam ser consideradas como prova e deviam ser confirmadas num período posterior de 24 horas.

Os inquisidores eram recrutados sobretudo entre os melhores religiosos, de alta formação e de fama ilibada. A idade mínima era 40 anos, devido à experiência de vida, e tendo em vista precaver-se contra decisões apressadas, próprias da juventude. Os inquisidores não podiam usar arma. Eram pessoas normais do povo, freqüentemente viajantes, intelectuais curiosos de conhecer o mundo. A autoridade do inquisidor era geral na sociedade. Após o assassinato de Pedro de Verona, um dos mais conhecidos inquisidores, a multidão bradou: santo súbito. Este fato está em clara contradição com a idéia que as pessoas hoje fazem sobre os representantes dessa “profissão”.
Também a carta dos bispos do Sínodo de Toledo causa surpresa, pedindo aos inquisidores que sejam moderados nos jogos e não fiquem até tardias horas nas praças.

Catolicismo — Será que a comparação que o Sr. faz em seu livro, das seitas heréticas com grupos comunistas, não constitui analogia um tanto exagerada?

Prof. Konik — Mas, de fato, não foi isso (ou seja, medidas de caráter comunista) que fizeram os irmãos dulcianianos (seita medieval, muito esquerdista, liderada por Dulcian, que atuou sobretudo na Itália), os quais lutaram para introduzir a comunidade de bens, e assim privar a todos da propriedade privada? Lembremo-nos de que a atuação dos hereges não era apenas na linha da persuasão, mas freqüentemente obrigavam as pessoas ricas a “distribuírem aos necessitados” seus bens; os quais, como sempre acontece nessas situações, eram imediatamente defraudados. A semelhança também existe na esfera da propaganda: tanto a esquerda moderna como os hereges de outrora empenhavam-se em introduzir a “justiça social”, utilizando chefes carismáticos para enganar a população.

É digno de nota que os movimentos heréticos nunca tentaram arregimentar membros da classe intelectual, procurando sempre apoio nas classes mais baixas, de pouca instrução. A semelhança entre os hereges medievais e a esquerda moderna é notória também pelo fato de que ambos os movimentos dirigem-se às pessoas numa linguagem que elas querem ouvir. Nas homilias dos hereges cátaros, nunca aparece o elemento de responsabilidade pessoal. Não está presente o Juízo Final, o Purgatório não existe, mas somente o Céu, e este é destinado a todos. Como no socialismo: a visão da vida na Terra sem que se assumam responsabilidades foi, é e será sempre algo que atrai.

Fonte: Revista Catolicismo, setembro de 2006.



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Para citar:

KONIK, Prof. Roman
. Apostolado Sociedade Católica. Inquisição: Mito e Realidade. Disponível em http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=438 Desde 02/01/2009


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Desmistificando o caso Galileu.


Depois de muito ouvir lendas a respeito de Galileu, inclusive de pessoas que considero(ava) cultas, resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto.
Com os anos , muitas lendas foram criadas em torno desta fato. Muitas com o intuito de criar uma imagem desfigurada da igreja. Uma imagem de retrógrada, anticientífica e impositora.

Não sou o tipo de pessoa que gosta de estragar as fantasias alheias, por exemplo, dizendo para uma criança que o Papai-Noel não existe (Existiu. e se chamou São Nicolau) ou que o coelhinho da páscoa é apenas um apelo comercial para vender ovos (como se coelhos colocassem ovos). Não! porém, neste caso a verdade deve prevalecer.

Preparem-se para o inacreditável.

-Galileu Galilei não morreu na fogueira!
-O que? Não acredita?
Galileu Galilei Morreu de causas naturais em 08/01/1642 em sua casa em Florença. Sua sentença foi proclamada pela Santa Inquisição em 22/06/1633, contudo publicou um trabalho intitulado “Diálogo das duas novas ciências” em 1638 (a menos que tenha, Chico Xavier, psicografado a livro em questão).

É interessante ressaltar também que a Igreja não era contra o sistema de Copérnico, de onde Galileu tirou a base de seu modelo. Não acredita?
A Igreja se baseou no modelo de Copérnico para modificar seu calendário litúrgico. E essa obra foi dedicado por Copérnico ao Papa Paulo III, que o recebeu de muito bom grado, dando a ordem que resultou nas modificações do calendário.

Mitos esclarecidos, vamos aos fatos.

Galileu não era uma pessoa muito fácil de lidar. Tinha um temperamento muito forte e defendia suas idéias, a respeito do heliocentrismo, com desproporcional vigor, dado as poucas e inconclusivas provas que tinha, como afirma a Enciclopédia Mirador Internacional (verbete Galileu)
Descreve ela que Galileu era “de um estilo de grande vivacidade, freqüentemente irônico e mordaz, pois era um temperamento polêmico”. Eis exemplos (de outras fontes, citadas neste trabalho) de seu estilo de argumentar, nada científico: recorria aos vocábulos “idiotas, bufos, hipócritas, impostores, ignorantes, estúpidos, animais”.
(Fonte: Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann , site Cleofas e Enciclopédia Mirador Internacional).

Por esta razão , muitos dos diálogos propostos entre a igreja e vários acadêmicos com Galileu não surtiram efeitos.

Mas qual foi o problema entre a Igreja e Galileu, se a Igreja já conhecia a teoria em questão, e cujo seu aperfeiçoador (Nicolau Copérnico), que era Cônego da igreja, estudava a própria astronomia no berço do catolicismo, em meio aos jesuítas , que provavelmente contribuíram para a formulação de sua teoria?

O problema ocorrido não foi entre Religião e ciência, mas sim no campo teólogo-filosófico.

Entendamos o porque.

Galileu defendia o modelo heliocêntrico (desenvolvido por Aristarco e aperfeiçoado por Copérnico) , mas não possuía provas incontestáveis para sustenta-lo. Mesmo assim queria que a Igreja alterasse textos bíblicos baseando-se em suas afirmações. Isso mesmo! Alteração da exegeses católica e afirmações que o seu modelo era fato verdadeiro.

Galileu não tratava seu modelo como uma teoria. Ele estava certo que o que pensara era correto.
Ele afirmava que a terra não estava imóvel no universo, teoria aceita até então, mas que ela girava entorno do Sol juntamente com a lua e os outros planetas descobertos até o momento. Toda via, ele também afirmava que o Sol era imóvel no universo (hoje sabemos que isso não procede). Esse pensamento também despertou interesse dos heréticos que achavam que o Sol era o deus do universo.

Pensar isso é "fácil", mas provar é outra história.
As provas que Galileu tinha como mais concretas eram as da maré que, segundo ele, era um fenômeno gerado pelo movimento de rotação da terra, responsável pelos dias e as noites (sabemos hoje que as marés são fenômenos causados pela força de atração gravitacional da Lua e do Sol sobre a Terra) e a dos ventos alísios, mas não conseguiu quantificar(explicar) o fenômeno. ele também havia observado Júpiter e percebido que este também apresentava fases, concluindo com isso que ele também girava entorno do sol.

Contudo, Galileu não conseguia refutar as teorias contrapostas que defendiam o geocentrismo.
Uma delas ia de encontro justamente a uma de suas provas-chave.

Esta teoria em particular falava a respeito do movimento de rotação, logicamente necessário caso fosse a terra realmente girasse e não o sol. Quantificando esta teoria, que diga-se de passagem, ainda que errada empiricamente é bem intrigante para as pessoas com o conhecimento da época, chegou-se a dados absurdos.

Abaixo fontes da site Cleofas
(Ainda o "Caso Galileu"/ Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann.)

"
Por outro lado, havia argumentos de peso contra ela (Teoria de Galileu), baseados nos conhecimentos e no “bom senso” da época, proveniente da observação de fenômenos naturais. O argumento de maior importância (creio que muitas pessoas, mesmo nos tempos atuais, não sabem como o refutar) é o seguinte:

Se a Terra gira em torno do Sol(traslação), é necessário que também gire em torno de si(rotação), para produzir o dia e a noite. Se ela gira em torno de si, deve haver um movimento relativo terra-ar e, portanto, para quem está parado na superfície da Terra, um vento com a mesma velocidade. Se estou andando a cavalo, pensavam, quanto mais rápido andar o cavalo, mais veloz o vento que sentirei, devido ao movimento relativo cavalo-ar. Se estou parado, não sobre o cavalo, mas sim na superfície da Terra, e ela está “correndo” em sua rotação, deverei sentir um vento correspondente. E qual a velocidade deste vento? Os gregos já tinham feito o cálculo. Mais precisamente, Eratóstenes, medindo a diferença de latitude entre Siena (atualmente, Assuan) e Alexandria, e medindo a distância entre estas duas cidades, determinou a circunferência da Terra, no Equador. Foi concluído que, se a Terra girasse sobre si mesma(Note que nesta época já se imaginava que a terra girava entorno de si mesmo, logo, também em torno do Sol), a velocidade no Equador seria de cerca de 400 m/s (1.440 km/h). E esta seria a velocidade do vento causado pela rotação da terra, velocidade essa suficiente para destruir florestas, veículos, construções, etc. (Na realidade, a velocidade é ainda maior: 1.670 km/h.) Este vento não existe. Logo: a Terra não pode ter o movimento de rotação requerido pelo sistema heliocêntrico para formar dias e noites."

(OBS.: Grifo meu.)

Desta forma galileu não conseguia provar suas afirmações e passou a tentar prova-las através dos textos bíblicos para responder a uma obra do teólogo Ludovico delle Colombe, que se intitulava “Contro il moto della terra” (Contra o movimento da Terra).

É bem verdade que um teólogo não deveria se meter em matérias Científicas, mas ao invés de tentar provar por meio científicos o que pensava , Galileu tenta responder também com argumentos teológicos.

Veja alguns argumentos teológicos usados por Ludivico para defender o geocentrismo:

Salmo 103,5 – “Fundaste a terra em bases sólidas, que são eternamente inabaláveis”; Eclesiastes 1, 4-5 – “Uma geração passa, outra vem; mas a Terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar ao seu lugar”.
(Ainda o "Caso Galileu"/ Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann.)

Exemplo da arguição em resposta, de Galileu:

Salmo 95,9 – “Diante d’Ele estremece a terra inteira”.

Ambos, com uma exegese equivocada, estavam viajando na "maionese", mas, como já dito acima, Galileu era de um temperamento muito difícil e começou a extrapolar.
Exigia ele, que as interpretações bíblicas fossem alteradas para adequar-las a seu modelo(Aplicaria-se muito bem aqui o velho ditado popular: "Cada Macaco no seu galho.").

E era realmente muito difícil para a época aceitar o modelo de Galileu, não só para a Igreja, mas para muitos acadêmicos. O fato de Galileu começar a utilizar teologia para explicar seu modelo só serviu para inflar sua incredibilidade frente aos seus contemporâneos. Veja:

"E assim a disputa, que deveria ser de caráter científico, passou para a exegese e a teologia. Os debates se multiplicaram. O beneditino Castelli, professor na Universidade de Pisa, defendia a opinião de Galileu. Este escreveu diversas cartas, dirigidas, entre outros, ao próprio Castelli, a Clavius
(Matemático Jesuíta) e ao Cardeal Belarmino, defendendo-se. Da carta a Castelli transcrevemos um trecho, pela posição correta assumida por Galileu, no que diz respeito à interpretação da Bíblia(Posição correta, as defendida de maneira incorreta) (Ref. 2, pág. 111):

“A Escritura não se engana, mas sim os seus intérpretes e comentadores, de várias maneiras, entre as quais uma gravíssima e freqüentíssima, quando querem fixar-se sempre no puro sentido literal, pois assim aparecerão não só diversas contradições, mas também graves erros e heresias; seria necessário dar a Deus pés e mãos, e olhos, e também coisas corpóreas e humanas, como cólera, arrependimento, ódio, esquecimento do passado e ignorância do futuro. Donde, assim como na Escritura se encontram muitas proposições falsas quanto ao sentido nu das palavras, mas assim postas para se acomodarem ao numeroso vulgo, assim ... é necessário que os sábios comentadores apresentem o verdadeiro sentido.”

O dominicano Lorino enviou à Sagrada Congregação do Index (Inquisição Romana) uma cópia dessa carta, que tinha sido difundida por meio de cópias.
A carta foi examinada, qualificada favoravelmente e o caso encerrado.

Entretanto,
Galileu insistia em debater no terreno exegético-escriturístico, abandonando as razões científicas do sistema astronômico que defendia. Queria forçar uma decisão urgente da Sagrada Congregação para que certas passagens da Escritura fossem interpretadas de modo diferente do usual havia séculos.

Foi advertido para que deixasse o lado teológico da questão e usasse apenas argumentos das ciências naturais para justificar o sistema heliocêntrico."

Foscarini (Carmelita, Provincial da Calábria) publicada em 1615 obra em que defende a opinião de Copérnico.

O Cardeal Belarmino recomenda prudência a Galileu e a Foscarini: que não apresentassem o sistema heliocêntrico como verdade definitiva (o que não existe na ciência; nesta, nada é definitivo) e que não forçassem reinterpretações da Sagrada Escritura, enquanto não houvesse provas demonstrativas do novo sistema. Eis trechos de sua carta (Ref. 2, pág. 163 a 165):

“Uma coisa é sustentar o movimento da Terra e a estabilidade do Sol como hipótese, e isso está muito bem dito e não tem perigo algum ..., e é tudo quanto deveria bastar ao matemático.”

E mais adiante, na mesma carta:

“Quando fosse verdadeiramente demonstrado que o Sol está no centro do mundo e a Terra no terceiro céu, e que o Sol não circunda a Terra, mas sim a Terra circunda o Sol, então seria necessário com muitas considerações, pelo contrário, que são coisas que não podemos entender. Por mim, não acreditarei que seja possível tal demonstração, até que me seja apresentada.”


(Ainda o "Caso Galileu"/ Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann.)
(OBS.: Grifo meu.)

Desta forma, por diversas vezes, Galileu foi advertido a deixar as questões teológicas e focar somente no que é o seu campo, a astronomia.

Por esta razão Galileu foi levado ao tribunal da inquisição.
Em audiência particular, o Cardeal Belarmino encarrega-se de convencer a Galileu de abandonar seu modelo, mas este se recusa. Então é dada uma "sentença", diante do comissário da inquisição e de outras testemunhas, de que Galileu não sustente ou ensine seu modelo. Ele concorda.

O que provocou, depois de tanto tempo, sua proibição, foi a atitude de Galileu, querendo impor como certa, verdadeira, uma teoria para a qual não tinha provas objetivas. Pelo contrário, insistia em uma prova falsa, a das marés. E jamais ele ou outro contemporâneo conseguiu explicar o paradoxo do vento de 1.440 km/h, na linha do Equador, que “deveria” existir em virtude da rotação da Terra. Galileu, lançado mão de razões exegéticas e insistindo em uma reinterpretação da Bíblia, acabou forçando uma decisão imatura e lamentável da Sagrada Congregação do Index.

É de destacar que, em 11/03/1616, Paulo V recebeu Galileu em audiência particular. Considera-o um verdadeiro filho da Igreja e reconhece a retidão das intenções de Galileu, dizendo-lhe que nada temesse de seus caluniadores.
(Ainda o "Caso Galileu"/ Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann.)

O que resultou na real condenação de Galileu, condenação essa que não passou de 3 anos de prisão domiciliar, sendo servido em tudo pelos jesuítas, foi o fato da reincidência, desobediência e má fé de Galileu na publicação de seu livro “Diálogo sobre os dois Sistemas Máximos de Mundo, o Ptolomaico e o Copernicano” de 1631.

Esta publicação deveria ser revisada pelo Index, para que nele não houvesse os problemas do caso anterior. Em meados de 1624 e 1630 Galileu comunica ao Papa Urbano VIII que pretendia publicar o livro. O Papa apóia Galileu, mas o aconselha a não escrever sobre o modelo de Copérnico como verdade e sim como teoria e que seus escritos não tivesse nada que fosse de encontro com o Santo ofício.

Em 1630 Galileu viaja a roma para conseguir a aprovação(Imprimatur) de seu livro. É encarregado para o exame do livro um padre chamado Riccardi, que era amigo de Galileu.

Padre Riccardi recomendou algumas mudanças. Nas que se destacam estão a mudança do nome do livro “Diálogo sobre as marés” para o nome dito acima, a do prefácio e algumas situações, para que o modelo copernicano não fosse tratado como verdade, mas sim como hipótese.

Galileu comprometeu-se a faze-lo, decidindo imprimir seu livro em Florença. Pe. Riccardi foi a favor, mas com a condição de que Galileu trouxesse o primeiro exemplar para que ele aprovasse.
Depois de muitas desculpas, Galileu pede ao Padre que enviar apenas o Prefácio e o título, e Padre Riccardi consente.

Em florença Galileu consegue que um amigo seu seja seu novo revisor. Stefani, como se chamava, foi induzido por Galileu a achar que Roma já havia aprovado toda a obra, então concede o Imprimatur. O título e o prefácio seguem para o Pe. Riccardi como combinado.

Em 1631 chega as mãos de Pe. Riccardi a obra completa, já publicada. Eis que ele nota que somente o título e o prefácio foram alterados, mas todo o conteúdo continua afirmando que o sistema heliocentrico é uma verdade. Então ele encaminha a obra a Roma.

Pelo seu temperamento, Galileu já havia ganho muitos inimigos. Pressionado por estes, o Papa Urbano VIII considera o fato como desobediência e o encaminha a inquisição.

Galileu, chamado a Roma para julgamento, depois de vários adiamentos (doença, velhice, peste, inundações, foram os motivos alegados), lá chega em 12/02/1633. Hospedou-se inicialmente no palácio do Embaixador de Florença; depois passou a residir no edifício da Inquisição, em aposentos do Fiscal da Inquisição, “cômodos e abertos” (nada de aprisionamento em masmorras, “a pão e água”, como diz uma das lendas).

Foi submetido a quatro interrogatórios:

- No primeiro negou que houvesse defendido o sistema heliocêntrico em seu livro.

- No segundo declarou que, relendo o livro, reparara que em alguns trechos o leitor podia realmente pensar que ele defendia tal sistema.

- No terceiro desculpou-se por desobedecer à proibição de 1616, afirmando que a advertência tinha sido verbal e que não se recordava de uma ordem para ele em particular.

- No quarto e último interrogatório (em 21/06/1633), quando lhe perguntaram solenemente se defendia o sistema copernicano, respondeu negativamente.

No dia seguinte, em Decreto do Santo Ofício, é publicada a sentença, na qual consta:” ... é absolvido da suspeição de heresia, desde que abjure, maldiga e deteste ditos erros e heresias ...”. Galileu ouviu de pé e com a cabeça descoberta a leitura de sua condenação (três anos de prisão; recitação semanal dos sete salmos penitenciais, por três anos). Depois, de joelhos e com uma mão sobre os Evangelhos, assinou um ato de abjuração, no qual declarava que era “justamente suspeito de heresia”.

(Ainda o "Caso Galileu"/ Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann.)

Depois da sentença , Galileu passa a morar no palácio do embaixador de Florença e pouco depois é transferido para a casa do Arcebispo Piccolomini. Foi-lhe permitido, em 1633 (cinco meses depois do princípio do cumprimento da sentença) retornar a sua casa cumprindo prisão domiciliar.

Acho que com isso acaba a estória de que Galileu foi queimado e torturado.

Fonte: www.cleofas.com.br (Ainda o "Caso Galileu"/ Dom Estêvão Bettencourt e Prof. Dr. Joaquim Blessmann.)